histórico

A Casa do Teatro foi fundada por Lígia Cortez em 1983, no bairro da Liberdade, numa época em que havia poucos espaços no Brasil dedicados ao exercício criativo e ao livre pensar de crianças e jovens por meio da arte. Inicialmente, o curso de teatro para crianças e jovens foi aberto para atender crianças a partir de 5 anos de idade.

 

O desenvolvimento da metodologia da Casa do Teatro, desde sua criação, contemplou a constante incorporação das linguagens artísticas de forma interdisciplinar. O trabalho em arte e educação desenvolvido sempre teve o olhar para a abrangência dos recursos expressivos, englobando, além do fazer teatral, conteúdos relacionados às artes plásticas, circo, música e dança. Com a inclusão contínua dessas novas atividades, veio a necessidade de um espaço maior. Assim, em 1991, a Casa muda para o bairro do Pacaembu – e, em 1997, abre também no Itaim Bibi.

 

A configuração das turmas por faixa etária foi outro critério adotado durante a concepção da proposta da Casa, por entender que tal agrupamento reúne pares com características, processo cognitivo e visão de mundo similares. A cada ano, a diferente reunião de personalidades e interesses demanda também abordagens e processos de formação distintos. Com o intuito de dialogar cada vez mais com variados perfis de crianças e jovens, a partir de 2000, a Casa passa a atuar como parceira em movimentos e instituições não governamentais, como a Fundação Gol de Letra, a Associação Arte Despertar, e a Federação Israelita que atendem crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

 

A partir dessas experiências, desde 2008, a Casa tem papel fundamental nas ações desenvolvidas pela Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH) no Projeto Conexões, com foco no incentivo à formação de grupos de teatro de jovens de escolas públicas, privadas e coletivos impendentes e fomento à dramaturgia especialmente escrita por autores brasileiros e ingleses para jovens de 12 a 19 anos. Em 2014, em conjunto com a ESCH os artistas orientadores da Casa do Teatro iniciaram um programa de ações artísticas direcionado aos professores do Ensino Básico com o propósito de auxiliar na atualização de saberes e de recursos expressivos para aplicação em sala de aula. Em 2015, integrou também o Projeto Até Debaixo D’Água, programa de apoio à produção de material didático para a Educação Básica, subvencionado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

 

Ao longo de sua trajetória, a Casa do Teatro foi convidada a realizar diversas parcerias, com instituições renomadas como o Centro Cultural São Paulo, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e a Academia de Arte Dramática da Suécia, além de instituições de ensino como o Centro Universitário Belas Artes e a Faculdade de Educação da USP. Também participou de inúmeros festivais, como o Festival Ibero-americano de Teatro de São Paulo e o Festival Internazionale di Teatro e Cultura per La Prima Infanzia, em Bolonha, na Itália.

 

A Casa, em sintonia com as demandas sociais e culturais, está em permanente processo de inclusão de recursos expressivos que sejam potentes e assegurem o desenvolvimento pessoal de crianças e jovens. A contemporaneidade pede novos olhares e incorporações de linguagens que dialoguem com a criação. Neste sentido, incorporou à música, o teatro musical, a música dramática do teatro épico. O pensamento crítico e o olhar social desenvolvem-se poeticamente pela utilização das conceituações do teatro de máscaras e da commedia Dell`arte A magia de trabalhar um interlocutor ganha vida pela manipulação de bonecos.

 

É, a partir desta história de reconhecimento do mundo e suas relações com a arte e a cultura, que a Casa do Teatro traz em sua história um grande leque de montagens de textos clássicos e contemporâneos, desenvolvidos por crianças a partir de 4 anos de idade, com adaptações ou criações de situações análogas que oferecem um lugar para o exercício do espírito crítico e questionador.

Foto: João Caldas
Foto: João Caldas
Foto: João Caldas